1.000 trabalhadores nikkeis cortados da Sharp de Kameyama

Somente no ano de 2018 foram mil trabalhadores brasileiros e peruanos que amargaram cortes de emprego na Sharp de Kameyama

Sharp de Kameyama
A imprensa japonesa divulgou matérias sobre o grave problema dos cortes da mão de obra nikkei na Sharp de Kameyama (Mie).

Os noticiários mostraram a dura realidade dos trabalhadores sul americanos dependentes das chamadas empreiteiras ligadas a Sharp. As empresas subcontratadas são classificadas em 3 categorias, de nível 1 a 3. A de nível 1 tem contrato direto com a indústria de eletroeletrônicos, a qual repassa para a de nível 2 e é a da terceira posição que recruta e gerencia os brasileiros e peruanos, enviando-os à unidade de Kameyama.

A Trust Line, uma dessas terceirizadas, de nível 3, concedeu entrevista. Segundo informações, são todos contratados a curto prazo, com repetidas renovações. Devido aos cortes bruscos de produção, não renovaram ou foram cortados.

Isso ilustra a dura realidade da instabilidade dos trabalhadores estrangeiros, destacaram os noticiários.

Ainda assim quer aumento de trabalhadores estrangeiros?
No momento em que o governo quer aprovar as novas categorias de visto para os estrangeiros na Dieta, a fim de aumentar sensivelmente a entrada de novos trabalhadores estrangeiros, vem à tona problemas como esse da Sharp que requerem melhorias.

Advogados que apoiam os trabalhadores apresentaram uma queixa no Departamento de Trabalho de Mie, no dia 22 de novembro. Apontaram violação da lei no caso das subcontratadas ou as chamadas empreiteiras.

No sindicato Union Mie, o representante declarou que “desde a primavera fomos inundados de consultas dos trabalhadores estrangeiros”. Segundo ele mais 40 se filiaram ao sindicato. “Usam e descartam os trabalhadores estrangeiros valendo-se da posição fraca deles”, apontou Jinbu Akai, Secretário-Geral Adjunto do sindicato.

Segundo o responsável da Trust Line, “a Sharp reduziu o volume de trabalho. Por isso, só aqui 400 saíram”. Avalia que nas 4 terceirizadas, incluindo a sua, foram 1.000 somente este ano.

Contou que todas fizeram anúncios de recrutamento e no período de pico chegaram a ter 2 mil trabalhadores brasileiros e peruanos, todos enviados para a Sharp de Kameyama.

Pontuou que os contratos eram feitos por 2 meses prevendo as oscilações de produção da fabricante. No feriadão de maio foi o pico dos cortes, informou.

Atualmente a Trust Line tem cerca de 100 trabalhadores lá, sendo que nas demais 3 empreiteiras não há mais nenhum.

10 empreiteiras denunciadas em Mie
O departamento de relações públicas da Sharp foi procurado pelo jornal Chunichi. O porta-voz declarou “não eram contratados diretos da fábrica. Não estamos na posição de comentar sobre a interrupção do trabalho”. Se foi feito o mesmo com trabalhadores japoneses, não há informação.

Hisanori Shikata, advogado com profundo conhecimento dos trabalhadores estrangeiros aponta a causa desse tipo de problema. “Por causa da parede do idioma é difícil ser contratado de forma regular. Por isso o recrutamento e a gestão de pessoal ficam por conta de empresas subcontratantes, que fazem tudo no idioma nativo. E muitas vezes há subcontratantes que agem de má fé”, explica.

“Para a indústria esse tipo de contratação é conveniente. Mas a realidade é que não há medidas legais. Está em discussão a expansão dos trabalhadores estrangeiros, mas antes de tudo é preciso preparar esse ambiente para eles”, alfineta.

O sindicato Union Mie pretende realizar uma coletiva de imprensa na próxima semana. Explicará sobre as suspeitas de que pelo menos 10 empreiteiras da província mandaram trabalhadores estrangeiros realizar atividade de forma irregular, já denunciadas no Departamento de Trabalho.
Fonte: Portal Mie com ANN, Chunichi e Mainichi

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