O renascimento do Japão

O renascimento do JapãoO Japão foi provavelmente a aposta mais incrível para os mercados financeiros em 2013. Os que acreditaram nela, ganharam muito dinheiro numa área anteriormente considerada menos interessante e menos atraente. Agora, a questão é saber se o Japão poderá se tornar a aposta mais importante em 2014; e a resposta a essa questão mais abrangente é muito mais significativa, porque vai além dos participantes dos mercados financeiros.

Com um ganho do início do ano até agora, em moeda local, de cerca de 50% no meio da semana, o mercado japonês de ações foi indubitavelmente um dos que mais se destacaram. Parte desse ganho foi corroborado pela recuperação do crescimento econômico do país. Mas isso ocorreu na maior parte ao impacto tanto direto quanto indireto de uma notável e histórica mudança de estratégia.

Capitalizando a decisiva vitória eleitoral obtida um ano atrás, o primeiro-ministro Abe empreendeu uma importante iniciativa para tirar o Japão de duas décadas de crescimento medíocre. Baseada no princípio das “três setas” (ou três pontos), a intenção dessa estratégia é estimular a expansão atual e futura mediante a combinação das forças conjuntas de demanda e de oferta. As duas “setas” da demanda são a expansão fiscal e uma política monetária não convencional. Não devemos subestimar o que está sendo tentado.

A expansão fiscal ocorre em um momento de preocupação no médio prazo com a dinâmica da dívida do Japão. A experiência no campo da política monetária é quatro vezes maior em termos relativos do que o Federal Reserve (Fed, banco central dos Estados Unidos) está fazendo.

Espera-se que essa combinação de estímulos inusitados convença os japoneses a gastar mais. E para intensificar o impacto e torná-lo mais durável, as duas setas da demanda são acompanhadas por uma seta que representa a oferta. Essa terceira seta consiste de medidas que visam a aumentar a receptividade da economia. Mediante uma série de reformas estruturais, a maioria das quais ainda precisa ser plenamente especificada, Abe espera incrementar a produtividade de uma economia que permaneceu amarrada a um ritmo ineficiente por muito tempo.

A reação do mercado ao anúncio das três setas foi impressionante.

Coerentes com seu desejo de antecipar desdobramentos e pular logo para os resultados, os mercados financeiros apressaram-se a incorporar a mudança de paradigma e a posição em relação aos respectivos “valores fundamentais”.

Consequentemente, os amplos movimentos dos mercados vão muito além da considerável alta do mercado de ações. O iene também registrou uma movimentação intensa, tanto em relação ao dólar quanto, e particularmente, em relação ao euro.

O que importa agora é saber se a economia japonesa poderá corroborar os movimentos do mercado financeiro e, o que é mais importante, passar a contribuir muito mais para a expansão e para o bem-estar global (inclusive do Brasil). Afinal, o Japão é uma das três maiores economias mundiais, seu cidadãos têm uma situação financeira bastante confortável e suas companhias estão interligadas em termos globais.

Três coisas fundamentais terão de ocorrer em 2014 para que isso possa se materializar: o primeiro-ministro Abe precisa implementar um conjunto de delicadas reformas estruturais do ponto de vista político; o setor privado japonês precisa acreditar que a demografia e a dinâmica da dívida do país não frustrarão a eficácia da estratégia; e o restante do mundo precisará adequar-se a um maior enfraquecimento do iene japonês.

O Japão foi provavelmente a aposta mais incrível para os mercados financeiros em 2013.Nenhuma dessas três condições é automática ou de fácil realização.

No fronte interno, elas exigem uma mudança de mentalidade que só pode ocorrer como consequência de uma persistente implementação de medidas e uma série de sucessos iniciais extremamente visíveis. A exigência global é ainda mais complexa. Numa época de crescimento medíocre (Europa) ou lento (emergentes), outros países terão de aceitar que parte de sua expansão seja desviada em favor do Japão.

Como os mercados já concederam aos legisladores o benefício da dúvida, o Japão agora precisa cumprir o que planejou, e o resto do mundo terá de se adequar às mudanças. Se isso não ocorrer, 2014 poderá ser lembrado não tanto pela recuperação econômica do Japão, quanto por uma brusca reviravolta da fortuna dos que investiram em ações japonesas.
Fonte: O Estado de S. Paulo

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